Livros lidos em 2017

A vida de uma jovem mãe é corrida, principalmente quando se reassume a vida profissional. O pouco tempo que sobra, depois de ficar fora de casa por quase 10 horas, é dedicado aos cuidados com a casa e com a cria. Assim, as leituras acabaram ficando em segundo plano, desde 2015, quando minha principal obra veio ao mundo.

Nesse ano de 2017 me propus a ler pelo menos uma página antes de dormir, para atingir a minha meta, simplória, porém um pouco mais realista do que as metas anteriores, de ler pelo menos 12 livros durante o ano de 2017. Estamos concluindo o terceiro mês do ano e tenho duas leituras concluídas, o que me dá um déficit de um livro. Mas se conseguir ler “Todos os Contos”, de Clarice Lispector, esse terá valido por pelo menos dois livros!

Mas antes de me desesperar, vamos as resenhas até o momento:

– Amor à moda antiga, de Fabrício Carpinejar
– Simples Assim, de Martha Medeiros. (Em breve)

Os próximos da lista são:

– O inverno e depois, de Luis Antonio de Assis Brasil
– Todos os Contos, de Clarice Lispector
– Vinte e um, de Daniel Galera

Não necessariamente nesta ordem, mas ficarei feliz se conseguir ler estes até agosto de 2017.

A Culpa é das Estrelas – John Green

 

Acordei hoje com a resenha do livro “A Culpa é das Estrelas”, de John Green, pedindo para ser escrita. Li o livro e assisti ao filme, por isso, meus comentários serão de ambos.

Primeiro sobre o livro. Estava resistente a ler o livro, por imaginar ser um romance para adolescentes. Contudo, o anúncio do filme e a repercussão constante do livro chamaram minha atenção, fazendo com que eu comprasse o livro. Comecei a ler sem muita pretensão, e logo no início o humor sarcástico da personagem principal, Hazel Grace Lancaster me conquistou, prendendo minha atenção até a última página. Mas como está escrito na contracapa do livro, não é só risos e graça que acompanha os últimos dias dos personagens. Ele é brutal também, como brutal é o câncer, doença que serve como pano de fundo para o romance dos dois adolescentes.

O livro é menos uma história de sobreviventes e mais um caso de amor. O amor inocente, que surge de uma amizade, em um momento de fragilidade corporal de seus amantes, mas de grande maturidade emocional. Hazel Grace, em estágio terminal, considera-se uma granada, prestes a explodir e quer evitar o inevitável, que Augustus Waters se apaixone por ela. Esse poder ninguém, mesmo com plena saúde, tem. O amor surge nos lugares improváveis para transformar em realidade os sonhos prováveis de todos nós. Gus apaixona-se contra a vontade de Hazel e vive essa paixão, principalmente porque ela é a única coisa que eles tem. O amor, as brincadeiras, as aventuras, as loucuras decorrentes dele preenchem  os vazios que a doença cria. E assim, o livro se desenvolve, com muita graça, muita emoção e acima de tudo, muito amor.

Não vou contar mais senão perde a graça, porque John Green escreve com a alma, e cria um enredo que muda completamente do meio para o final. Impossível não levar às lágrimas, assim como é impossível não querer repetir o roteiro que os pequenos apaixonados fizerem em Amsterdã. Linda história, belo texto, que encanta adolescentes sonhadores, que esperam viver um amor desta intensidade, e sensibiliza adultos, já esquecidos do quanto pode ser lindo o amor, quando escolhemos vive-lo sem racionalizar cada segundo ao lado de quem amamos.

Agora o filme: Muito fiel com o enredo do livro, mas mais enfeitado. Os produtores procuraram enfeitar um pouco mais a história, para que não fosse um rio de lágrimas do início ao fim, mas com isso tiraram um pouco da beleza da história. Contudo, é um bom filme, principalmente pela atuação dos jovens atores, que souberam dar vida aos personagens de John Green, valorizando os pontos fortes de cada um; a doçura de Hazel e o sarcasmo encantador de Augustus. É o cinema norte-americano levando a literatura às telonas, e minha esperança é que a telona leve mais pessoas aos livros, pois é nos detalhes esquecidos pelo filme que encontra-se a verdadeira magia da história, inclusive a explicação do título, de porque a culpa é das estrelas.

A Trilogia 50 Tons

Oi Pessoal, pensei muito antes de escrever sobre a Trilogia 50 Tons, primeiro porque comentar um livro com conteúdo adulto já é bastante controverso, ainda mais uma trilogia. E segundo porque vi que já existiam tantos comentários, que mais uma resenha seria excesso de informação desnecessária. Porém, como estou de férias e resolvi retomar os meus blogs, comecei a escrever sobre o que é mais fácil para mim, os livros.

Comprei o primeiro volume da série por um impulso, uma curiosidade por causa de toda a repercussão que havia em torno do seu conteúdo. Sem expectativa, apenas comprei, para conhecer um gênero novo. E assim que comecei a ler, tive a mais grata surpresa. Primeiro porque discordo de quem fala que os livros são pornográficos, eles são eróticos, não pornográficos. Sobre os questionamentos quanto à escrita, acho que a autora não se preocupou com estética literária, e sim, com transmitir sentimentos e nesse quesito, todos os objetivos foram atingidos. Ao julgar um livro, temos que entender o contexto no qual ele está inserido. Esta trilogia é um romance fictício, longe da realidade de muitos, e seu conteúdo serve para alimentar a fantasia, como entretenimento, nada mais, e para isso, ele é excelente!

Sobre o conteúdo, no primeiro volume, 50 Tons de Cinza, o que se pode extrair de mais interessante é a relação entre dominador e submissa, um conceito um pouco mais distante da realidade do Brasil e da América do Sul, mas ao que tudo indica, muito mais popular nos Estados Unidos. O segundo volume, 50 Tons Mais Escuros traz um encantamento pela relação dos dois, pelo caso romântico em si. É possível entender porque a mocinha apaixonou-se pelo mocinho, mesmo conhecendo todas as nuances do seu amor dominador. Surgem novos personagens e novos acontecimentos, fora do Quarto Vermelho da Dor, que torna o livro mais empolgante do que o primeiro. Já no terceiro volume, 50 Tons de Liberdade, o que se tem é um fechamento de vários acontecimentos, a explicação para fatos que passaram nos volumes anteriores. É igualmente sedutor, mas parece que a autora perdeu um pouco do fôlego.

Li os três um na sequência do outro e fiquei com gostinho de quero mais. No final a autora parece deixar nas entrelinhas que pode haver um outro romance, de repente sobre a versão de Christian Grey da história. Seria interessante e já há muita expectativa para o filme, que espero, não estrague a essência de um romance erótico ao qual ele se propõe a ser.

Simplesmente pelo fato de tê-los lido na sequência um do outro, em um período de tempo relativamente curto, considerando todos os compromissos de trabalho e faculdade, considero recomendável para todos que sentem a necessidade de um pouco mais de fantasia em suas vidas!

“O amor é para os fortes” – Marcelo Cezar, pelo espírito Marco Aurélio

Retomando o registro de minhas leituras, escrevo hoje, depois de tanto tempo, sobre outro tipo de literatura que até pouco tempo ignorava por puro preconceito, mas que a partir de agora começarei a olhar com mais atenção: os livros espíritas. Minha história com esse livro começou quando, pela primeira vez, fui a um Centro Espírita para tomar uma passe isolado. Enquanto esperava minha vez, fiquei olhando ao redor, em busca de algum livro que me entretivesse enquanto esperava e ao mesmo tempo, me explicasse um pouco sobre a experiência que estava prestes a vivenciar. Não encontrei, mas neste momento agucei minha curiosidade por conhecer a realidade dos espíritas. Assim, quando cheguei em casa, abri o meu folheto de vendas da AVON, onde sempre passava reto pela parte dos livros espíritas e me detive na sinopse breve do “Amor é para os fortes”. Achei que poderia me ajudar com os pequenos problemas domésticos que venho enfrentando com meu marido, mas no fim descobri um gênero novo que fez com que eu me fixasse nessa leitura até o fim. O livro conta a história de dois casais que, ao vivenciarem a experiência da traição, encontram uma força que pensavam não existir, para mantê-los íntegros e unidos, apesar de tudo. Esta força só pode ser encontrada a partir do momento em que se descobre não existir relações perfeitas e sim, relações possíveis. Entre um caso de amor e outro, a participação de coadjuvantes desencarnados, que alteram para o bem ou para o mal a história desses personagens, dando pinceladas sobre o Espiritismo e instigando o leitor de primeira viagem neste gênero como eu a procurar saber mais sobre o assunto, conhecer outras histórias, conhecer outros escritores e principalmente o processo de criação destas obras, publicadas por uma pessoa, porém, “ditadas” por alguém que já não está mais no plano físico. Necessário desprendimento, fé, mente aberta para encarar esse tipo de leitura, mas recomendo, pois até hoje, passados duas ou três semanas do término do livro, ainda me pego pensando em seus personagens, e muitas vezes seguro o livro em minhas mãos e me pergunto: “Era só isso mesmo?Li até o fim? Não faltou mais nada?” Terminei a leitura e fiquei com gostinho de quero mais.

PRESCRIÇÃO: Para aqueles que acreditam no amor ou que precisam voltar a acreditar nele. Para os que se encontram em relações doentias, sem saber o que os move a continuar com aquela pessoa. Para quem busca uma explicação para aquilo que não tem explicação: o amor entre um homem e uma mulher.

“Traição”- Thaís Russomano

Acabei de ler o livro “Traição”, de Thaís Russomano. Este livro me foi indicado por uma amiga, que nunca pensei que teria tempo para ler um romance mas, assim como ela, também achei tempo e não me arrependi.

O livro trata, obviamente, de uma história de amor e traição. Logo na sinopse da contracapa, um mistério acompanha o leitor durante toda a leitura: quem exatamente traiu quem? Mas o que fica do livro de mais marcante não é a traição propriamente dita. É o amor verdadeiro, incondicional, aquele que supera o tempo, a distância e, até mesmo, a traição. Acho que a Thaís soube descrever um amor que toda mulher gostaria de receber de um homem. Bernardo não chega a ser perfeito, mas é encantador. Sentimentos de compaixão e dor se misturam. Por vezes torcemos para que ele realmente esqueça Dora, outras, a torcida é para que eles se reencontrem e sejam felizes para sempre.

Algo que merece destaque: a paixão de Dora, a protagonista, pelos livros. Desde pequena, ela gostava de ouvir as histórias contadas por sua mãe e encená-las. Depois de adulta, descobre nos livros, os melhores companheiros para passar o tempo, na ausência de algo melhor para fazer, pois não encontra alegria em sua vida de casada na pequena cidade do Sul do Brasil.

Estranho, mesmo quando não procuro histórias sobre livros e amantes de livros, elas me acham e me encantam.

Minha leitura acabou sendo mais crítica, em função de conhecer a autora, de sentir-me meio que responsável, de considerar o livro um produto oferecido pela instituição na qual trabalho, então algumas coisas poderiam ser revistas, como por exemplo a passagem do tempo. Parece que o tempo passa para Dora e Bernardo mas não para os seus filhos. Em determinado ponto da leitura não é possível entender com que idade estão os filhos. Mas são detalhes, que não menosprezam de forma alguma a beleza do livro.

Belo livro, bela ambientação e principalmente, excelente mistura da ciência com a literatura, visto que a autora é médica, professora, pesquisadora e cientista! Vale a leitura, pela história de amor, pelas reviravoltas, pela singela ambientação dos anos vinte, pela multiplicidade de talentos da autora.

“Traição” termina com o gostinho de quero mais, pedindo uma segunda edição revista e ampliada, ou então, uma continuidade da história, somente com as cartas trocadas entre Bernardo e Dora. Fica a sugestão, Profa. Thaís e a minha grande admiração.

PRESCRIÇÃO:

Digamos que “Traição” é o típico livro sem contraindicações. Pode ser lido por quem tem um amor e, por quem espera por um. Se me perguntarem se pode ser lido por alguém que se recupera de uma traição, diria que sim, pois não conheço melhor exemplo de perdão. Contudo, um pouco de cuidado para aqueles que ainda estão sofrendo por um amor perdido para outra pessoa, já que a perda de Bernardo não é bem administrada, não sendo o melhor exemplo de “luto” de amor. A questão do luto será debatida em breve, com a continuação do texto sobre o “Fora de Mim”, de Martha Medeiros. Aguardem.

“Fora de mim” – Martha Medeiros (Texto em Desenvolvimento)

Neste livro, a autora é a narradora da história. Conversa com um interlocutor no vazio. Um “você” que não tem rosto nem nome. Aliás, ela também não tem nome, nem identidade. Mas carrega sobre si todo o peso de um amor irracional. O fim do relacionamento de dois anos que a narradora mantinha com o “você” está machucando-a, corroendo o que sobrou de sua alma. E no início, parece não ter sobrado muito. Ela sente-se um “nada” sem a figura amada, sem o “você”.

Neste novo livro de Martha Medeiros a impressão que temos é de que a Martha é a protagonista e nós, leitores, o ombro amigo. O destino final de um lamento. Parece estranho, mas com a leitura, a sensação que temos é a de que o livro “está vivo”, que nós o estamos acompanhando e escutando-o.  Em “Fora de Mim”, o leitor é a companhia do livro, e não o contrário.

Dor de amor todo mundo já passou e a forma como a Martha escreve, em tom de conversa com o leitor, torna esse sentimento de proximidade e vida possível. No fundo, o livro não trata da dor da separação, mas do quão pequenos nos tornamos quando resolvemos entregar a nossa felicidade à alguém. Quando colocamos na pessoa amada a razão da nossa vida. Nos tornamos pequenos e egoístas, pois precisamos nos sentir “proprietários” da outra pessoa, pois só assim, nos sentiremos responsáveis por nós mesmos. Ilusão de posse e controle. Pois sempre quando precisarmos nos enxergarmos no outro, estamos fora de nós, perdidos entre quem amamos e quem eu deveríamos amar: nós, acima de tudo. Enfim, a felicidade não está fora de nós.

Como esta leitura ainda não foi concluída, supresas ainda me esperam, e opiniões podem ser mudadas. Considerem o texto ainda em desenvolvimento. Esta é a minha sensação, das primeiras 53 páginas…