LivroTerapia – Encontrando o alento necessário através de letras, sons e sentimentos.

livro que cura

Hoje não vim aqui escrever sobre nenhum livro específico, mas sim, sobre o ato de ler em si. O propósito inicial do blog era “prescrever” livros que poderiam auxiliar nos mais diversos estados da alma humana. Por exemplo, o livro “Mulheres, Comida e Deus”, de Geneen Roth, foi “prescrito” aqui em 2011, para mulheres que, durante anos, tiveram problemas com seu corpo, seja por obesidade ou outros distúrbios alimentares. Esse foi fácil prescrever, pois o título já era quase como um Benegripe, que todo mundo sabe, ser bom para resfriados.

Eu acredito que todo livro nos transforma, seja em uma proporção menor ou maior, mas alguma coisa em nós se modifica a partir do momento que lemos a última frase de um bom livro. Assim como acredito que um mesmo livro pode atuar de diferentes maneiras nas pessoas. Porque cada um sente uma dor, uma necessidade específica, sabe onde o sapato aperta.

Prescrever um livro para alguém vai além de uma indicação. É olhar para o livro e lembrar o que as palavras contidas naquelas páginas fizeram no teu íntimo. Ao lê-las você se sentiu mais autoconfiante ao se entregar para a vida, sabendo que ela poderia acabar a qualquer momento, como a Hazel Grace, em “A Culpa é das Estrelas?”. Entendeu que nossa história enquanto seres de luz e amor não começou e nem terminará nessa vida, como a Carolina, em “A Fascinante Vida de Mirta Kassov”? Percebeu o quanto de vida estamos perdendo fazendo aquilo que não faz nossos olhos brilharem, quando concluiu a leitura dos “12 Lições para Renovar a Vida”, da Juliana Garcia? Estes são livros que eu prescrevi ou que prescreveria. Mas existe uma infinidade de conhecimento guardada em prateleiras espalhadas por aí,  que, apesar de não terem prazo de validade, como os remédios tradicionais, estão sem serventia, enquanto outra infinidade, agora de pessoas, fica se debatendo a procura de soluções para suas imperfeições.

Em uma campanha de compartilhamento de livros realizada pela PUCRS, surgiu o slogan “Livro foi feito para caminhar” e esse é um pouco do sentimento desse novo projeto, que começa a surgir agora, o LivroTerapia. A ideia é que toda vez que você receber o chamado para participar do programa de troca de livros, ao invés de simplesmente doar um livro e pegar outro, que você o prescreva, de forma objetiva e sincera, guiando o próximo leitor para aquilo que ele realimente precisa, mesmo que ainda não saiba. A primeira edição do LivroTerapia ocorrerá no próximo dia 30, como parte integrante da programação do evento Descobrindo a Casa Liberdade #3 (inscrições aqui). Todos que quiserem participar, deverão levar um livro para doação e no local haverá pequenos “receituários” para que se possa fazer a prescrição. Todos são livres para prescreverem o que quiserem, e se não quiserem escrever nada, também não tem problema, desde que seja mantido o princípio da troca. A ideia é que o projeto seja itinerante e constante, ou seja toda vez que houver um evento que reuna pessoas interessadas na coletividade, que se monte uma barraquinha do LivroTerapia. É o blog saindo da Internet e ganhando vida nas ruas. Retrocesso ou avanço? Não sei, mas fazendo o bem, que mal tem?

Até lá!

 

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A Culpa é das Estrelas – John Green

 

Acordei hoje com a resenha do livro “A Culpa é das Estrelas”, de John Green, pedindo para ser escrita. Li o livro e assisti ao filme, por isso, meus comentários serão de ambos.

Primeiro sobre o livro. Estava resistente a ler o livro, por imaginar ser um romance para adolescentes. Contudo, o anúncio do filme e a repercussão constante do livro chamaram minha atenção, fazendo com que eu comprasse o livro. Comecei a ler sem muita pretensão, e logo no início o humor sarcástico da personagem principal, Hazel Grace Lancaster me conquistou, prendendo minha atenção até a última página. Mas como está escrito na contracapa do livro, não é só risos e graça que acompanha os últimos dias dos personagens. Ele é brutal também, como brutal é o câncer, doença que serve como pano de fundo para o romance dos dois adolescentes.

O livro é menos uma história de sobreviventes e mais um caso de amor. O amor inocente, que surge de uma amizade, em um momento de fragilidade corporal de seus amantes, mas de grande maturidade emocional. Hazel Grace, em estágio terminal, considera-se uma granada, prestes a explodir e quer evitar o inevitável, que Augustus Waters se apaixone por ela. Esse poder ninguém, mesmo com plena saúde, tem. O amor surge nos lugares improváveis para transformar em realidade os sonhos prováveis de todos nós. Gus apaixona-se contra a vontade de Hazel e vive essa paixão, principalmente porque ela é a única coisa que eles tem. O amor, as brincadeiras, as aventuras, as loucuras decorrentes dele preenchem  os vazios que a doença cria. E assim, o livro se desenvolve, com muita graça, muita emoção e acima de tudo, muito amor.

Não vou contar mais senão perde a graça, porque John Green escreve com a alma, e cria um enredo que muda completamente do meio para o final. Impossível não levar às lágrimas, assim como é impossível não querer repetir o roteiro que os pequenos apaixonados fizerem em Amsterdã. Linda história, belo texto, que encanta adolescentes sonhadores, que esperam viver um amor desta intensidade, e sensibiliza adultos, já esquecidos do quanto pode ser lindo o amor, quando escolhemos vive-lo sem racionalizar cada segundo ao lado de quem amamos.

Agora o filme: Muito fiel com o enredo do livro, mas mais enfeitado. Os produtores procuraram enfeitar um pouco mais a história, para que não fosse um rio de lágrimas do início ao fim, mas com isso tiraram um pouco da beleza da história. Contudo, é um bom filme, principalmente pela atuação dos jovens atores, que souberam dar vida aos personagens de John Green, valorizando os pontos fortes de cada um; a doçura de Hazel e o sarcasmo encantador de Augustus. É o cinema norte-americano levando a literatura às telonas, e minha esperança é que a telona leve mais pessoas aos livros, pois é nos detalhes esquecidos pelo filme que encontra-se a verdadeira magia da história, inclusive a explicação do título, de porque a culpa é das estrelas.