Amor à moda antiga – Fabrício Carpinejar

Amor à moda antiga foi o primeiro livro de poesias que li do início ao fim, em uma única tarde. Eu não costumo ler poesia, não escrevo poesia por total falta de capacidade. Mas em janeiro, enquanto estava acompanhando meu filho na adaptação da escolinha, período difícil para nós dois, deixei-o chorando aos cuidados das professoras e saí chorando em busca de alento.

Encontrei, nessa caminhada solitária, uma livraria. O melhor lugar para afogar minhas mágoas. Tudo bem que não era uma grande livraria, mas tinha o tamanho suficiente para me distrair por alguns minutos. Enquanto olhava as prateleiras, encontrei muitos títulos conhecidos e outros tantos que nunca ouvira falar. Entre eles, escondidinho, com uma capa branca, meio sem graça, encontrei um livrinho fininho, simplório, mas que, por algum motivo, me cativou. Era o “Amor à moda antiga”, do Fabrício Carpinejar.

Até esse momento, só tinha lido crônicas e nada mais. A figura de Carpinejar é estranhíssima, e mais estranho ainda é perceber que daquela casca tão exótica, pode sair um conteúdo tão sensível. Pois falando em sensibilidade, estando eu com os nervos à flor da pele naquela tarde quente do verão escaldante de Porto Alegre, comprei o livro e o levei até uma praça próxima à escolinha onde meu filho estava tentando se adaptar.

Li todo o livro naquela tarde, mas interrompi a leitura quando cheguei nesse poema, pois a dor da separação já estava forte demais.

 

 

Amor a moda antiga

Nesse momento, antes que as lágrimas molhassem as folhas, fechei o livro e peguei meu celular (não tinha levado nem um bloquinho com caneta!) e escrevi a primeira carta de amor e de dor para meu amado filho, falando justamente daquele momento que estávamos vivendo, o da nossa primeira grande separação. Foi intensa a experiência, tanto da leitura dos poemas, como da escrita.

Esse é o típico livro que ficou marcado mais pelo momento em que foi lido, do que pelo conteúdo em si.

Os poemas constantes no livro, todos muito genuínos e sinceros, são curtos, objetivos e de fácil leitura. Falam de amor e de desamor, mas o que mais me encantou foi o seu formato e o modo como ele foi escrito. Em tempos de predomínio dos ebooks, moda que eu não curto muito, Carpinejar “inovou” ao escrever seus poemas em uma máquina de escrever e optar por publicá-los assim, sem edição, com as correções feitas à mão, o que proporcionou um tom ainda mais intimista à obra, já um tanto quanto memorial e bibliográfica.

Lindo o livro, bela a edição e simplesmente devastadoras as emoções despertadas. É impossível não se enxergar em pelo menos um dos poemas.

Indico, menos para quem está em um momento bucólico, senão vontade de cortar os pulsos será pouco.

Livros lidos em 2017

A vida de uma jovem mãe é corrida, principalmente quando se reassume a vida profissional. O pouco tempo que sobra, depois de ficar fora de casa por quase 10 horas, é dedicado aos cuidados com a casa e com a cria. Assim, as leituras acabaram ficando em segundo plano, desde 2015, quando minha principal obra veio ao mundo.

Nesse ano de 2017 me propus a ler pelo menos uma página antes de dormir, para atingir a minha meta, simplória, porém um pouco mais realista do que as metas anteriores, de ler pelo menos 12 livros durante o ano de 2017. Estamos concluindo o terceiro mês do ano e tenho duas leituras concluídas, o que me dá um déficit de um livro. Mas se conseguir ler “Todos os Contos”, de Clarice Lispector, esse terá valido por pelo menos dois livros!

Mas antes de me desesperar, vamos as resenhas até o momento:

– Amor à moda antiga, de Fabrício Carpinejar
– Simples Assim, de Martha Medeiros. (Em breve)

Os próximos da lista são:

– O inverno e depois, de Luis Antonio de Assis Brasil
– Todos os Contos, de Clarice Lispector
– Vinte e um, de Daniel Galera

Não necessariamente nesta ordem, mas ficarei feliz se conseguir ler estes até agosto de 2017.