Quem é você, Alasca? – John Green.

Feliz 2015!

Gosto muito da frase que alguém inventou, que no primeiro dia do ano, recebemos um livro com 365 páginas em branco, para serem preenchidas com novas histórias. E nenhum começo poderia ser melhor do que este, publicar a primeira resenha de um livro que acabei de ler. Proatividade, inspiração e saudade, da companhia irreverente, divertida e intensa que os personagens de John Green me fizeram nestas duas semanas de datas festivas.

Em 2014, a mídia me despertou a curiosidade de ler ” A culpa é das estrelas”, também do John Green. Sabia ser um livro adolescente, mas quis ler mesmo assim, e senti-me incrivelmente envolvida pela prosa do escritor americano. Tive que interromper a leitura em alguns momentos, pois as lágrimas não me permitiriam seguir lendo. Depois, assisti ao filme, que mesmo sem ser tão lindo como o livro, também me levou às lágrimas.

Agora, recentemente passeando pelas livrarias de Porto Alegre, me deparei com uma edição de colecionador, do livro “Quem é você, Alasca?” e não resisti, tive que colocar na lista de desejos da Mamãe Noel. E ela prontamente atendeu meu pedido. Sendo assim, vocês já conseguem imaginar como a leitura me prendeu, que ganhei o livro na noite do dia 24 de dezembro, e terminei sua leitura hoje. Nestes pouco menos de 10 dias, fui mulher de um livro só, ou quase, trocando-o apenas pelo “A preparação do escritor”, sendo este último, técnico, por isso, não conta para as resenhas. De qualquer forma, a leitura do “Quem é você, Alasca?”, é muito leve, fácil e prazerosa.

O livro mostra os bastidores da vida adolescente em um colégio interno, preparatório para a faculdade. É prática comum nos Estados Unidos os adolescentes procurarem estas escolas durante o ensino médio. E acredito que este seja um período realmente de muitas histórias e vivências, como as narradas por Miles Halter, o Gordo, um dos personagens principais do livro. O Gordo, que na realidade era magricela e franzino, era um rapaz que no Ensino Fundamental não fizera muitos amigos e que optou pelo colégio interno para ir em busca do “Grande Talvez”. Miles lia muito biografias, e adorava colecionar as últimas palavras dos biografados. Mais um curioso hábito dos leitores apaixonados. E esse ponto foi um que me marcou no romance de John Grenn: os principais personagens do livro eram bons leitores, sendo que a Alasca tinha a “Biblioteca da Vida” dela nas estantes de seu dormitório. Conhecer essas peculiaridades dos personagens fizeram com que a história ficasse ainda melhor.

Não há muito o que contar sem estragar as surpresas da obra, mas o que vale dizer é que é um livro sobre amizades, memórias, saudades e sobre a busca pelo Grande Talvez, que todos nós, um dia pelo menos, nos questionamos ou nos questionaremos. As reflexões levantadas durante as aulas de religião poderiam ser trazidas para nossa realidade, e seria positivo, se nesse período de festas, nos deparássemos com perguntas do tipo: Como fugir daquilo que nos aflige? E para onde vamos depois que morremos? Questionamentos filosóficos importantes, levantados a partir de um cenário juvenil. Grande sacada de um escritor jovem, que logo no seu primeiro romance, soube como prender a atenção de jovens, por definição, muitas vezes dispersos e desconectados de sua espiritualidade.

O modo como o texto foi organizado, ou seja, os capítulos intitulados com uma contagem cronológica, indicando que os fatos narrados aconteceram antes e depois de um determinado acontecimento, por si só, aguça a curiosidade do leitor disciplinado, que prefere começar do começo e seguir uma leitura linear. Além disso, todos os episódios que acontecem na primeira parte do livro são engraçados, o que torna a leitura leve e fluida. Após o ocorrido, o texto fica mais introspectivo, mas nem por isso torna-se monótono ou triste. A história possui uma carga de emoção, mas não é tão triste como “A culpa é das estrelas”. É um texto intenso, que demonstra toda a inteligência de um escritor promissor, que desperta o interesse para as obras subsequentes.

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