Caderno de Leituras, a profissionalização do blog.

Caderno de Leituras

Em tempos de blogs, redes sociais, tecnologias diversas, eu sempre me surpreendo com o meu caráter vintage e retrô. E fico imensamente feliz quando vejo que outras pessoas da mesma faixa etária que eu, e até mais jovens, são adeptas dos mesmos hábitos, que nunca saem de moda. Aqui, retomo os antigos diários da minha época de menina, só que agora repaginados para o contexto dos livros.

Ontem estava assistindo o canal no Youtube da Tati Feltrin e lá ela tem um vídeo muito legal onde ela mostra como se organizará para as leituras que realizará em 2015. Com certeza ela lerá mais livros do que eu, mas o método escolhido para a organização das leituras é extremamente fácil para se adaptar a qualquer volume de livros lidos.

Aquele lá em cima na foto é o meu Caderno de Leituras! Para dividir os assuntos que pretendo reunir neste caderno, comprei uma espécie de “janelas” de plástico e colei em cada início de seção.

As seções foram classificadas da seguinte maneira:

  • Leituras concluídas: Onde obviamente colocarei a data em que efetivamente terminei de ler um livro, juntamente com a data da postagem no blog.
  • Livros recebidos: Aqui colocarei todos os livros que ganhei de presente e também as cortesias da Editora Gutemberg.
  • Livros comprados: Aqui colocarei a data e as informações dos livros que comprarei durante o ano 2015.
  • Blog 2015: O título de todos os posts publicados aqui no blog, por ordem cronológica.
  • Desafios 2015: Consiste em listar os livros que li para o Desafio de 100 Livros lidos da Literatura Brasileira.
  • Wishlist 2015: Onde colocarei as indicações de livros e todos os meus desejos por aumentar minha coleção de livros.

Se vocês assistirem ao vídeo da Tati Feltrin, perceberão que o meu caderno está totalmente influenciado pelo dela. A ideia é a mesma, só muda um pouco o teor das categorias.

Boa tarde e até breve!

P.S: Só para atualizá-los: No momento estou lendo, entre outros títulos, “A graça da coisa”, da Martha Medeiros. Em breve devo concluir a leitura e colocarei a resenha aqui para vocês!

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Resenha – Os Aparados – Letícia Wierzchowski

os-aparados

Sou fã da Letícia há muito tempo e posso dizer que tenho quase todos os livros que ela escreveu até hoje. Gosto do modo como ela vive a história, ou como ela nos conduz para dentro de seus livros de tal modo que nos envolvemos com seus personagens e enredos.

“Os Aparados” não é diferente, mas não é tão envolvente como a “Casa das Sete Mulheres” ou o “Cristal Polonês”. Gostei do livro de um modo geral, porque gosto da Letícia, mas não senti a voz dela nesse livro. Trata-se da história de um professor aposentado de 63 anos que, após a morte da mulher, constrói uma casa na Serra Gaúcha, para transformar em seu refúgio. É um romance com tempo indefinido, mas o mundo está caótico, com chuvas intermináveis e problemas decorrentes disso. Este personagem então, o Marcus, resolve se mudar com a neta, orfã de mãe, de 17 anos, que está grávida, para essa casa na Serra. A partir daí há conflitos de gerações, a presença do anjo da morte em formato de alucinação do Marcus, alguns detalhes policiais que, provavelmente tinham por objetivo movimentar a história, mas que na minha opinião, tiveram pouco ou quase nenhum efeito.

Quando o livro terminou, fiquei com a sensação de que faltou alguma coisa. Sabe quando um filme termina naquela que você acha que é a melhor parte? Pois é, foi essa a sensação que eu fiquei.

Eu incluí a Letícia na minha lista do Desafio dos 100 livros de Literatura Brasileira, mas com o livro “A Casa das Sete Mulheres”, que pretendo reler este ano ainda, bem como a continuação dele, que é “Um farol no Pampa”. Mas esse, “Os Aparados”, com certeza não contou para o Desafio.

Após o fim da leitura, retomei o “Por que sou gorda, mamãe”, da Cíntia Moscovich. Eu deveria ter terminado a leitura dele ainda em 2014, mas passei outros na frente, como sempre. Desse mês não passa!

Na próxima postagem, as minhas metas de leitura para janeiro!

Retrospectiva 2014

Na primeira semana do ano ainda vale fazer retrospectiva dos livros lidos em 2014? Acho que sim, então vamos lá!

O primeiro livro concluído em 2014 foi “A Fascinante Vida de Mirta Kassov”, escrito por Mauro Kwitko. Muito interessante o livro. Apesar de ser uma história ficcional, ele traz embasamento em histórias que podem, muito bem, ter passado pelo consultório do Dr. Kwitko, terapeuta especializado na técnica de regressão. O legal do livro é que ele não se prende a nenhuma religião específica. Fala de Mundo Espiritual, de Reforma Íntima, Chico Xavier, mas também de deusas e deuses, yoga e budismo. A partir da leitura, me interessei pelo tema da regressão, mas ainda não fui atrás de mais material.

O segundo livro lido foi “A Culpa é das Estrelas”, lindo, meigo, envolvente, surpreendente e emocionante. O primeiro livro que chorei tanto que tive que interromper a leitura para me recompor. Mas a escrita do John Green é leve, fluida, não dá vontade de parar de ler. Apesar da temática de seus livros ser o universo juvenil, é um livro para ser lido e amado em qualquer idade. Como eu disse na resenha, não trata da perda, e sim, da descoberta do amor por alguém que sabe que tem um tempo limitado para viver tudo o que essa descoberta significa. Depois de ler o livro, eu vi o filme, que foi bem fiel à história, mas sem dúvida o livro é muito mais emocionante.

Seguindo então, em maio fiz aniversário e ganhei um vale presente da Saraiva. Foi a vez de conhecer o Austion Kleon e seu divertido “Roube como um Artista”. Excelente livro sobre inovação, criatividade e fazer aquilo que se ama. Sensacional. Uma leitura rápida e prazerosa, mas que te permite muita reflexão em cima do que está escrito.

Depois foi a vez do “Vida Organizada”, da Thais Godinho. Eu tinha muita expectativa para ler esse livro, porque há bastante tempo sou fã da Thais. E realmente não me decepcionou em nada o livro. Ele é excelente, repleto de exercícios e tabelas para fixar as técnicas apresentadas. É aquele tipo de livro que serve como um manual, para ser consultado sempre que necessário. Mesmo que eu não consiga seguir nem um terço das dicas, acredito no poder transformador delas e do quanto elas podem facilitar o nosso dia a dia. Acredito que a publicação e o sucesso do livro sejam um divisor de águas na carreira da Thais.

A leitura seguinte foi o “Manual para Jovens Sonhadores”, da Natalie Trutmann. Livro pequeno, de fácil leitura, com um grafismo muito bonito, que traz a temática do empreendedorismo para quem está querendo se aventurar nesse mundo empresarial contando com suas próprias pernas. Muito legal também conhecer as aventuras da Natalie, uma mulher empreendedora, mas que acima de tudo, sabe viver a vida em sua plenitude.

E o último, mas não menos importante, foi o “Faça Amor, não faça Jogo”, do Ique Carvalho. Um livro sobre amor, amizade, dedicação, companheirismo, garra e vontade de viver, acima de tudo vontade de viver e ser feliz até o último suspiro. Com certeza, o livro mais fofo de 2014! Eu listei por ordem cronológica, mas se fosse listar por preferência, esse seria o topo da lista! Impossível não chorar ou pelo menos se emocionar em praticamente todas as páginas.

Foram praticamente um livro a cada 02 meses. Considerando que todos são livrinhos pequenos, não é uma  métrica muito legal, mas levando em conta que 2014 também foi o lançamento do meu livro 30 Primeiras Vezes, realmente não tive muito tempo para ler…Mas espero que eu 2015 eu consiga atingir a minha meta de pelo menos 02 livros por mês. Janeiro mal começou e estou indo bem. Terminei de ler o “Quem é você, Alasca?”, do John Green e achei tão sensacional como o “A culpa é das estrelas” e já estou em vias de terminar “Os Aparados”, da Letícia Wierzowski, ambos começados em 2014 e cuja leituras me fizeram muito bem durante férias.

Ainda essa semana publicarei um novo texto com as minhas metas de leitura para 2015.

Até breve!

Quem é você, Alasca? – John Green.

Feliz 2015!

Gosto muito da frase que alguém inventou, que no primeiro dia do ano, recebemos um livro com 365 páginas em branco, para serem preenchidas com novas histórias. E nenhum começo poderia ser melhor do que este, publicar a primeira resenha de um livro que acabei de ler. Proatividade, inspiração e saudade, da companhia irreverente, divertida e intensa que os personagens de John Green me fizeram nestas duas semanas de datas festivas.

Em 2014, a mídia me despertou a curiosidade de ler ” A culpa é das estrelas”, também do John Green. Sabia ser um livro adolescente, mas quis ler mesmo assim, e senti-me incrivelmente envolvida pela prosa do escritor americano. Tive que interromper a leitura em alguns momentos, pois as lágrimas não me permitiriam seguir lendo. Depois, assisti ao filme, que mesmo sem ser tão lindo como o livro, também me levou às lágrimas.

Agora, recentemente passeando pelas livrarias de Porto Alegre, me deparei com uma edição de colecionador, do livro “Quem é você, Alasca?” e não resisti, tive que colocar na lista de desejos da Mamãe Noel. E ela prontamente atendeu meu pedido. Sendo assim, vocês já conseguem imaginar como a leitura me prendeu, que ganhei o livro na noite do dia 24 de dezembro, e terminei sua leitura hoje. Nestes pouco menos de 10 dias, fui mulher de um livro só, ou quase, trocando-o apenas pelo “A preparação do escritor”, sendo este último, técnico, por isso, não conta para as resenhas. De qualquer forma, a leitura do “Quem é você, Alasca?”, é muito leve, fácil e prazerosa.

O livro mostra os bastidores da vida adolescente em um colégio interno, preparatório para a faculdade. É prática comum nos Estados Unidos os adolescentes procurarem estas escolas durante o ensino médio. E acredito que este seja um período realmente de muitas histórias e vivências, como as narradas por Miles Halter, o Gordo, um dos personagens principais do livro. O Gordo, que na realidade era magricela e franzino, era um rapaz que no Ensino Fundamental não fizera muitos amigos e que optou pelo colégio interno para ir em busca do “Grande Talvez”. Miles lia muito biografias, e adorava colecionar as últimas palavras dos biografados. Mais um curioso hábito dos leitores apaixonados. E esse ponto foi um que me marcou no romance de John Grenn: os principais personagens do livro eram bons leitores, sendo que a Alasca tinha a “Biblioteca da Vida” dela nas estantes de seu dormitório. Conhecer essas peculiaridades dos personagens fizeram com que a história ficasse ainda melhor.

Não há muito o que contar sem estragar as surpresas da obra, mas o que vale dizer é que é um livro sobre amizades, memórias, saudades e sobre a busca pelo Grande Talvez, que todos nós, um dia pelo menos, nos questionamos ou nos questionaremos. As reflexões levantadas durante as aulas de religião poderiam ser trazidas para nossa realidade, e seria positivo, se nesse período de festas, nos deparássemos com perguntas do tipo: Como fugir daquilo que nos aflige? E para onde vamos depois que morremos? Questionamentos filosóficos importantes, levantados a partir de um cenário juvenil. Grande sacada de um escritor jovem, que logo no seu primeiro romance, soube como prender a atenção de jovens, por definição, muitas vezes dispersos e desconectados de sua espiritualidade.

O modo como o texto foi organizado, ou seja, os capítulos intitulados com uma contagem cronológica, indicando que os fatos narrados aconteceram antes e depois de um determinado acontecimento, por si só, aguça a curiosidade do leitor disciplinado, que prefere começar do começo e seguir uma leitura linear. Além disso, todos os episódios que acontecem na primeira parte do livro são engraçados, o que torna a leitura leve e fluida. Após o ocorrido, o texto fica mais introspectivo, mas nem por isso torna-se monótono ou triste. A história possui uma carga de emoção, mas não é tão triste como “A culpa é das estrelas”. É um texto intenso, que demonstra toda a inteligência de um escritor promissor, que desperta o interesse para as obras subsequentes.