“Mulheres, Comida e Deus” – Geneen Roth

O livro “Mulheres, Comida e Deus”, de Geneen Roth, não traz nenhum segredo, nada de milagroso, mas é bom, muito bom, para aquelas mulheres que vem há anos brigando com o corpo em busca da perfeição. A autora não se importa com a perfeição estética, mas sim, com a relação que temos com a comida. Um trecho do qual gostei muito foi esse, da página 91: “Não importa quanto você tenha se desenvolvido em qualquer outra área da sua vida, não importa no que diz acreditar, não importa quão sofisticada ou esclarecida pense que é: a maneira como você come diz tudo.”

É muito mais um novo olhar sobre o porque comemos compulsivamente do que sobre regras e dietas. Por isso, como trata da parte íntima de cada uma, sugere a meditação como uma prática de encontro. “A meditação é um instrumento para despertar. Uma maneira de descobrir o que você ama. Uma prática para voltar ao seu próprio corpo quando as miscelêneas da mente ameaçam usurpar sua sanidade.” Pg. 118

Mas para mim, a essência do livro está um pouco mais adiante da meditação, quando ela fala que não dá para transformar, do dia para noite, anos de rejeição e ódio em amor. “Quando você ama uma coisa, quer o bem dela; quando odeia, você quer acabar com essa coisa.” Neste momento, a autora nos leva a pensar em nosso corpo, principalmente nossa barriga. Aí, essa frase ganha força e talvez seja esse todo o segredo do livro e das técnicas de emagrecimento que por anos e anos, centenas de milhares de pessoas vem procurando: o amor, a aceitação. Jamais conseguiremos mudar nossa forma física, se nos odiarmos. Não teremos o corpo que sonhamos se não pensarmos primeiramente em fazer bem ao corpo que temos hoje. Rejeitar é evitar o problema. Encarar com amor e coragem, é o primeiro passo para mudarmos nossa realidade.

Nas semanas em que me dediquei à leitura do livro, adotei a prática de ler o livro nos momentos que achava que estava com muita fome (principalmente quando acordava aos finais de semana, com tempo de ir no mercado e comprar todas as guloseimas que achava que queria). E essa prática me trouxe serenidade. Não comer no momento exato em que eu pensava estar sofrendo de inanição me permitiu selecionar melhor o que eu comeria no café da manhã. Talvez não funcione tanto como a meditação sugerida pela autora, mas funcionou para que eu conseguisse separar, pelo menos na primeira refeição, a fome física da fome emocional.

Aliás, aprendi o conceito de alimentação emocional com a leitura desse livro. E parece que encontrei a redenção, ao saber que estava sendo sincera quando dizia que não conseguiria perder peso sozinha, que isso estava além da minha vontade. E estava mesmo. Porque antes de emagrecer, precisava descobrir a origem da minha fome emocional. Ainda não descobri, mas agora consigo encarar com mais serenidade o fato de ser gorda e de saber que estou me esforçando para mudar isso. Talvez esse seja o primeiro passo para a aceitação transformadora, aquela que promove a mudança através do amor e não da rejeição.

Um livro bom, que vale principalmente pelas reflexões para as quais nos conduz.

PRESCRIÇÃO: Neste caso, é fácil identificar para quem a leitura desse livro pode ser útil. Para mulheres fragilizadas por anos de tortura psicológica envolvendo sua aparência, seja pelo excesso de peso, ou por distúrbios alimentares causados pela necessidade de termos um corpo perfeito. Mas também é um livro para todas as mulheres que ainda não souberam como lidar com seus fantasmas internos, com a Voz que teima em dizer que são menos do que realmente são ou poderiam ser, que por serem gordas ou magras demais, são imperfeitas, inadequadas para a sociedade. Segundo a autora, todas temos essa Voz dentro de nós. Poucas a reconhecem.

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