“Treinando a Emoção para ser feliz”- Augusto Cury

Pois bem, cá  estamos nós, eu e meus livros, os meus e os emprestados, pois nessa jornada rumo ao descobrimento de mim mesma, tenho alguns aliados que me ajudam a despertar o lado que desconheço, ou reviver aquele que eu conhecia quando criança e que as dificuldades da vida adulta fizeram com que eu escondesse cada vez mais longe do meu alcance: no cantinho mais fundo da minha alma. Enfim, este post é para falar do Cury, não de mim…

Vamos lá: Este livro de Augusto Cury pode ser considerado, na minha opinião, evidentemente, um clássico livro de autoajuda. Do início ao fim ele diz e repete que somos vencedores, que somos especiais, únicos e insubstituíveis perante o amor de Deus.

Até a metade do livro, enquanto ele transmite ensinamentos úteis e importantes sobre o treinamento necessário de nossas emoções, ele é maravilhoso! Mas a partir do capítulo V, quando ele compara seus ensinamentos com a vida e o comportamento de Jesus Cristo, por considerar que a vida Dele representou na prática tudo o que hoje ele prega como treinamento da emoção, o livro fica um pouco repetitivo e fantasioso demais. Para compreender a fundo os capítulos seguintes são necessários dois pré-requisitos: acreditar em Jesus Cristo e, vivenciar Seus ensinamentos; ou ser uma pessoa muito aberta e interpretar as opiniões do autor como elas são: opiniões e interpretações da realidade e não a realidade em si.

Em termos de avaliação: diríamos 03 estrelas.

PRESCRIÇÃO: Esse livro é com certeza indicado para aquelas pessoas que estão passando por problemas de autoestima. O autor conta histórias de um jeito lúdico e cativante que desperta em nós sentimentos bons, de vitória e superação. Por mais ingênua que seja a história da “corrida pela vida”, é difícil não se pegar rindo e dizendo para si mesmo: “Nossa, eu realmente fiz isso?” “Nunca tinha pensado dessa forma.” Enfim, uma verdadeira injeção de ânimo em todos que se sentem tristes, deprimidos e desvalorizados.

Anúncios

Autoajuda: Por que não?

Quando me propus a escrever o Livroterapia, infligi-me o mais gostoso de todos os sacrifícios: ler! Ler muito e ler sobre tudo. Não poderia fazer discriminação de nenhum tipo de literatura. E foi assim que caí no tão criticado mundo da autoajuda! Não vou mentir, no início, duvidei de muitos conceitos, mas estava tão perdida no abismo de minhas emoções que acabei aceitando muitos dos conceitos que li e, aos poucos, fui sabendo separar o joio do trigo. A verdadeira ajuda que a descoberta da espiritualidade pode trazer, do charlotanismo de muitos que se dizem sábios e não passam de aproveitadores da carência humana.

Entre os livros de autoajuda que tenho lido ou passado os olhos, estão o do psiquiatra Augusto Cury. Esse eu respeito, por dois motivos: A Faculdade de Medicina e principalmente, a especialidade da psiquiatria, exigem anos de estudos sobre a personalidade e o comportamento humano. Quem por tanto tempo dedicou-se a estudar as dores da alma, sua e dos outros, deve ter alguma coisa boa a dizer. E o segundo motivo é que ele escreve muito bem! Ele tem uma prosa leve, clara, direta, como se estivéssemos conversando e isso me agrada muito. Ele literalmente escreve na linguagem dos seres humanos comuns, diferente daquela linguagem distante e prolixa com a qual muitos intelectuais esperam mostrar a sua superioridade. Ele é muito humano, muito inteligente na escolha das palavras, fazendo com que elas toquem diretamente nossas emoções.

No momento estou lendo “Treinando a emoção para ser feliz”. Estou no início, mas já deu para perceber que ele não é um livro para ser lido apenas uma vez. Ele é o tipo de leitura que temos que fazer com lápis e papel na mão, para anotarmos as partes importantes e voltarmos a elas, sempre que necessário. Até termos a plena consciência de que treinamos nossa emoção. Em breve, mais alguns comentários.

Enquanto isso, um depoimento pessoal…

É difícil manter um blog atualizado, pois quem navega na Internet espera novidades sempre, e quando se trata de um blog destinado a leitura, é mais difícil ainda, pois a não ser que você não faça mais nada na vida, conseguirá ler um livro por dia, e mesmo que consiga, dificilmente depois de devorar 200 páginas em média, terá ânimo para ficar de 20 a 30 minutos na frente do computador escrevendo sobre o que acabou de ler. Mas como quero meu blog cada vez mais visitado, me propus a entrar no blog todos os dias, nem que seja para escrever um rascunho de resenha do livro que estou lendo no momento. Fiz isso com o “Mulheres, Comida e Deus”, escrevi a resenha aos poucos, na medida em que ia lendo. E funcionou.

Então, entre um livro e outro, às vezes vou escrever posts como esse, que ao mesmo tempo em que enchem linguiça, falam um pouco sobre mim.

Criei o “Livroterapia”na tentativa de ajudar outras pessoas e encontrar a cura para seus problemas através da leitura mas, não imaginava que isso iria me ajudar a encontrar um caminho para a solução dos meus problemas. Escolher as leituras, ler com calma, um livro de cada vez, refletir sobre o que foi lido, tem me deixado mais serena e mais feliz, pois sem sentir, estou lendo mais do que lia anteriormente e, livros de melhor qualidade. Antes, na ânsia de ler todos os livros que comprava, começava dois, três, quatro, cinco livros ao mesmo tempo, e não terminava nenhum. Ao mesmo tempo que a sentia a sensação de estar com todos os livros por perto, sentia a frustração de não terminar nenhum. Era mais uma coisa para minha história de coisas começadas e não termidas, como diria a Ir. Marieta, na minha época de colégio, em que comecei o curso de violão e não terminei, comecei o CTG e não terminei…

Logo, percebe-se que tenho questões não terminadas na minha vida. Mas enquanto não as descubro, sigo lendo. Pelo menos as leituras eu tenho terminado. Estamos no terceiro mês do ano e eu já li dois livros. Boa meta!

“Mulheres, Comida e Deus” – Geneen Roth

O livro “Mulheres, Comida e Deus”, de Geneen Roth, não traz nenhum segredo, nada de milagroso, mas é bom, muito bom, para aquelas mulheres que vem há anos brigando com o corpo em busca da perfeição. A autora não se importa com a perfeição estética, mas sim, com a relação que temos com a comida. Um trecho do qual gostei muito foi esse, da página 91: “Não importa quanto você tenha se desenvolvido em qualquer outra área da sua vida, não importa no que diz acreditar, não importa quão sofisticada ou esclarecida pense que é: a maneira como você come diz tudo.”

É muito mais um novo olhar sobre o porque comemos compulsivamente do que sobre regras e dietas. Por isso, como trata da parte íntima de cada uma, sugere a meditação como uma prática de encontro. “A meditação é um instrumento para despertar. Uma maneira de descobrir o que você ama. Uma prática para voltar ao seu próprio corpo quando as miscelêneas da mente ameaçam usurpar sua sanidade.” Pg. 118

Mas para mim, a essência do livro está um pouco mais adiante da meditação, quando ela fala que não dá para transformar, do dia para noite, anos de rejeição e ódio em amor. “Quando você ama uma coisa, quer o bem dela; quando odeia, você quer acabar com essa coisa.” Neste momento, a autora nos leva a pensar em nosso corpo, principalmente nossa barriga. Aí, essa frase ganha força e talvez seja esse todo o segredo do livro e das técnicas de emagrecimento que por anos e anos, centenas de milhares de pessoas vem procurando: o amor, a aceitação. Jamais conseguiremos mudar nossa forma física, se nos odiarmos. Não teremos o corpo que sonhamos se não pensarmos primeiramente em fazer bem ao corpo que temos hoje. Rejeitar é evitar o problema. Encarar com amor e coragem, é o primeiro passo para mudarmos nossa realidade.

Nas semanas em que me dediquei à leitura do livro, adotei a prática de ler o livro nos momentos que achava que estava com muita fome (principalmente quando acordava aos finais de semana, com tempo de ir no mercado e comprar todas as guloseimas que achava que queria). E essa prática me trouxe serenidade. Não comer no momento exato em que eu pensava estar sofrendo de inanição me permitiu selecionar melhor o que eu comeria no café da manhã. Talvez não funcione tanto como a meditação sugerida pela autora, mas funcionou para que eu conseguisse separar, pelo menos na primeira refeição, a fome física da fome emocional.

Aliás, aprendi o conceito de alimentação emocional com a leitura desse livro. E parece que encontrei a redenção, ao saber que estava sendo sincera quando dizia que não conseguiria perder peso sozinha, que isso estava além da minha vontade. E estava mesmo. Porque antes de emagrecer, precisava descobrir a origem da minha fome emocional. Ainda não descobri, mas agora consigo encarar com mais serenidade o fato de ser gorda e de saber que estou me esforçando para mudar isso. Talvez esse seja o primeiro passo para a aceitação transformadora, aquela que promove a mudança através do amor e não da rejeição.

Um livro bom, que vale principalmente pelas reflexões para as quais nos conduz.

PRESCRIÇÃO: Neste caso, é fácil identificar para quem a leitura desse livro pode ser útil. Para mulheres fragilizadas por anos de tortura psicológica envolvendo sua aparência, seja pelo excesso de peso, ou por distúrbios alimentares causados pela necessidade de termos um corpo perfeito. Mas também é um livro para todas as mulheres que ainda não souberam como lidar com seus fantasmas internos, com a Voz que teima em dizer que são menos do que realmente são ou poderiam ser, que por serem gordas ou magras demais, são imperfeitas, inadequadas para a sociedade. Segundo a autora, todas temos essa Voz dentro de nós. Poucas a reconhecem.

“A Língua de Três Pontas”- Moacyr Scliar

Já que estamos em tempos de homenagem a Moacyr Scliar, todas merecidas, resolvi resgatar uma leitura de 2001. “A língua de três pontas”, do autor gaúcho, médico, sanitarista e Imortal da Academia Brasileira de Letras.

Este é um livro pequeno, de 157 páginas, que reúne citações sobre a política, economia, advogados, medicina, dinheiro, intelectuais, mídia e casamento.

É uma compilação de Scliar, de frases famosas, onde prevalece a crítica, não necessariamente construtiva. Cada capítulo inicia com uma crônica do autor, prefaciando a ironia, a realidade e a banalidade que virão a seguir, de fatos e acontecimentos que cercam a vida de todos nós.

O curioso das citações (ou provérbios, críticas) é que muitas ultrapassam séculos, gerações e gerações, sem perderem a veracidade. Por exemplo, no capítulo sobre a política (pág. 32): “A política é mais perigosa que a guerra. Na guerra só se pode morrer uma vez; na política, várias.” É ou não é uma frase que poderia ser aplicada hoje em dia, em nosso país? Pois ela foi dita por Winston Churchill, que viveu entre 1874 e 1965 e foi Primeiro Ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial.

Mas não são só de críticas políticas, que acabam por perder a graça diante da veracidade e atualidade, que o livro de Scliar é feito. Também há notas engraçadas, como esta: “Não te cases com velho por dinheiro; vai-se o dinheiro, o velho fica.”

E é assim, entre o bem e o mal, o sarcasmo e a verdade escondida nas frases engraçadas, que Scliar ilustra um pouco da nossa sociedade. Com humor e sabedoria peculiares.

Lendo e relendo Scliar, num misto de homenagem e saudade…

Nem sempre precisamos conhecer pessoalmente alguém para sentir a sua presença, ou sua ausência.

PRESCRIÇÃO:

Futuros candidatos a cargos públicos, ocupantes de cargos públicos, médicos, noivos, homens e mulheres casados, enfim, todos os envolvidos nas temáticas do livro. Pois ao confrontar-se com o falar mal, pode-se aprender o que não falar. “A língua de três pontas” significa aquela que fere quem fala, de quem se fala e a quem se fala. Então é melhor pensar, antes de falar, em qualquer uma dessas situações. Boa leitura!