Não se pode ler tudo!

Ainda não li o livro, mas já está na minha caixinha de sugestões. Li esse fragmento e achei excelente, até pelo teor deste blog, serve de aviso aos internautas.

Trecho extraído do livro “Não nascemos prontos”, de Mário Sérgio Cortella

“O naufrágio de muitos internautas”

“Ora, cada dia fala-se, mais e mais, sobre a triunfal entrada da humanidade na Era do Conhecimento; exalta-se a capacidade humana de estar vivendo, a partir deste momento, um período no qual o conhecimento será a principal riqueza. Tudo é fonte para o conhecimento, e a principal delas seria a Internet. Devagar com isso! Não se deve confundir informação com conhecimento. A Internet, dentre as mídias contemporâneas, é a mais fantástica e estupenda ferramenta para acesso à informação; no entanto, transformar informação em conhecimento exige, antes de tudo, critérios de escolha e seleção, dado que o conhecimento (ao contrário da informação) não é cumulativo, mas seletivo.

É como alguém que entra em uma livraria (ou em uma bienal do livro) sem saber muito bem o que deseja (mesmo um simples passear): corre o risco de ficar em pânico e com a sensação de débito intelectual, ser ter certeza de por onde começar e imaginando que precisa ler tudo aquilo. É fundamental ter critério, isto é, saber o que se procura, para poder escolher, em função da finalidade que se tenha. Os computadores e a Internet têm um caráter ferramental que não pode ser esquecido; ferramenta não é objetivo em si mesmo, é instrumento para outra coisa. Por isso há um ditado atribuído aos chineses no qual se diz: “Quando se aponta a Lua, bela e brilhante, o tolo olha atentamente a ponta do teu dedo”. O instigante Lewis Carol, na sua imortal “Alice no país das maravilhas”, a ser lida e relida, tem dois personagens bem expressivos para entendermos os tempos atuais: um coelho (como nós) sempre correndo, sempre olhando o relógio e sempre reclamando: “estou atrasado, estou atrasado”, e um insondável gato que, no alto de uma árvore, tem um corpo que aparece e desaparece, às vezes ficando só a cauda, às vezes só o sorriso. Há uma cena (adaptada aqui livremente) na qual Alice, desorientada, vê o gato na árvore e pergunta: Para onde vai a estrada? O gato replica: Para onde você quer ir? Ela diz: Não sei, estou perdida! O gato não titubeia: Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve…

Sem critérios seletivos, muitos ficam sufocados por uma ânsia precária de ler tudo, acessar tudo, ouvir tudo, assistir tudo…”é por isso que a maior parte dessas pessoas, em vez de navegar na Internet, naufraga…”

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