A morte de um Imortal – Moacyr Scliar

Para todo mundo que aprecia um bom livro, um texto inteligente, uma prosa criativa, hoje é um dia triste. O dia em que o Rio Grande do Sul acordou com a notícia da morte do médico e escritor Moacyr Scliar.

Scliar morava no Bom Fim, um dos bairros mais charmosos e boêmios de Porto Alegre. Assim como Scliar, a maioria de seus moradores são judeus. E Scliar soube como ninguém honrar a memória de seu povo e de seus vizinhos, escrevendo sobre o povo judeu inúmeras vezes, sendo o Centauro no Jardim o mais famoso, que chegou a ser considerado um dos 100 melhores livros de cultura judaica escrito nos últimos 200 anos, pelo National Iddish Book Center, dos EUA. A obra de Scliar engloba contos, romances, novelas, crônicas, ensaios e literatura infanto-juvenil.

Minha história com o Scliar começa com “Cavalos e Obeliscos”, lido ainda no colégio, durante a infância. Lembro até hoje da torcida para que Ernesto conseguisse amarrar o seu cavalo ao obelisco para honrar a memória de seu avô. Descobri, com essa leitura, o significado da palavra obelisco, inédita para meu vocabulário infantil. E também, conheci o realismo fantástico, estilo literário que fala a linguagem das crianças. Em toda sua bibliografia, está classificado como literatura infanto-junvenil, mas é um conto para todas as idades, pois fala de família, lendas, sonhos. Quem não precisa disso?  Depois, já adulta, li   “A Mulher que escreveu a Bíblia”, livro hilário e envolvente. Realmente, pelo vocabulário, é um livro adulto, mas encantador.

E foi o encanto pela figura carismática de Scliar que me fez correr atrás dele na Feira do Livro de Porto Alegre, para conseguir um autógrafo, no livro “A língua de três pontas”. Saí do Clube do Comércio, onde o Scliar participava de uma palestra, sem conseguir o autógrafo e percorri (junto com minha mãe) toda a praça da Alfândega até encontrá-lo em frente ao pavilhão de informações! Ufa, cansamos, mas valeu a pena e fui para a casa com meu troféu!

Hoje, sem prêmios, a história perde um imortal!

“Traição”- Thaís Russomano

Acabei de ler o livro “Traição”, de Thaís Russomano. Este livro me foi indicado por uma amiga, que nunca pensei que teria tempo para ler um romance mas, assim como ela, também achei tempo e não me arrependi.

O livro trata, obviamente, de uma história de amor e traição. Logo na sinopse da contracapa, um mistério acompanha o leitor durante toda a leitura: quem exatamente traiu quem? Mas o que fica do livro de mais marcante não é a traição propriamente dita. É o amor verdadeiro, incondicional, aquele que supera o tempo, a distância e, até mesmo, a traição. Acho que a Thaís soube descrever um amor que toda mulher gostaria de receber de um homem. Bernardo não chega a ser perfeito, mas é encantador. Sentimentos de compaixão e dor se misturam. Por vezes torcemos para que ele realmente esqueça Dora, outras, a torcida é para que eles se reencontrem e sejam felizes para sempre.

Algo que merece destaque: a paixão de Dora, a protagonista, pelos livros. Desde pequena, ela gostava de ouvir as histórias contadas por sua mãe e encená-las. Depois de adulta, descobre nos livros, os melhores companheiros para passar o tempo, na ausência de algo melhor para fazer, pois não encontra alegria em sua vida de casada na pequena cidade do Sul do Brasil.

Estranho, mesmo quando não procuro histórias sobre livros e amantes de livros, elas me acham e me encantam.

Minha leitura acabou sendo mais crítica, em função de conhecer a autora, de sentir-me meio que responsável, de considerar o livro um produto oferecido pela instituição na qual trabalho, então algumas coisas poderiam ser revistas, como por exemplo a passagem do tempo. Parece que o tempo passa para Dora e Bernardo mas não para os seus filhos. Em determinado ponto da leitura não é possível entender com que idade estão os filhos. Mas são detalhes, que não menosprezam de forma alguma a beleza do livro.

Belo livro, bela ambientação e principalmente, excelente mistura da ciência com a literatura, visto que a autora é médica, professora, pesquisadora e cientista! Vale a leitura, pela história de amor, pelas reviravoltas, pela singela ambientação dos anos vinte, pela multiplicidade de talentos da autora.

“Traição” termina com o gostinho de quero mais, pedindo uma segunda edição revista e ampliada, ou então, uma continuidade da história, somente com as cartas trocadas entre Bernardo e Dora. Fica a sugestão, Profa. Thaís e a minha grande admiração.

PRESCRIÇÃO:

Digamos que “Traição” é o típico livro sem contraindicações. Pode ser lido por quem tem um amor e, por quem espera por um. Se me perguntarem se pode ser lido por alguém que se recupera de uma traição, diria que sim, pois não conheço melhor exemplo de perdão. Contudo, um pouco de cuidado para aqueles que ainda estão sofrendo por um amor perdido para outra pessoa, já que a perda de Bernardo não é bem administrada, não sendo o melhor exemplo de “luto” de amor. A questão do luto será debatida em breve, com a continuação do texto sobre o “Fora de Mim”, de Martha Medeiros. Aguardem.

“Um Voluntário na campanha de Obama” – Cezar Busatto

Este livro (em sua versão eletrônica), caiu nas minhas mãos por puro acaso. E como sou curiosa, principalmente quando se trata de livros, resolvi dar uma olhada neste, mesmo não sendo muito fã de política.

O que me interessou, logo no início, foi a questão da tecnologia. Queria ver como o povo americano tinha se relacionado com o Presidente Barak Obama durante a campanha eleitoral. No fim, tive uma grata surpresa, pois além das questões tecnológicas, o autor fala de toda a sua experiência nos Estados Unidos, traça opiniões sobre lugares que conheceu, sites com os quais interagiu, enfim, traz um pouco dos costumes americanos para dentro de nossas casas.

Um trecho do livro abaixo, que me chamou a atenção:

“A Escola da Vida”

“De acordo com seu site, a Escola da Vida (http://www.theschooloflife.com/) é uma nova empresa cultural localizada no centro de Londres que oferece orientação inteligente sobre como levar uma vida plena. Preciso mesmo de um relacionamento amoroso? Como aproveitar de forma mais inteligente e criativa o meu tempo livre? O trabalho precisa ser algo chato e repetitivo? De onde saem os nossos conceitos sobre política? Dá para extrair mais proveito de visitas a museus, cinemas e teatros?

São oferecidos cursos à noite e finais de semana, férias em locais inesperados, psicoterapia, conferências, refeições com conversas e debates, um corpo docent de especialistas e um novo tipo de consultoria literária chamada biblioterapia.”

Logo percebe-se o porque do meu interesse nesse site. Visitei o site e realmente achei incrível e a coisa que mais me chamou a atenção, foi a questão da biblioterapia. Aí está a gênese deste blog.

Mas fora isso, diversos outros tópicos curiosos da vida nos Estados Unidos são abordados pelo autor. Para quem tem interesse em conhecer novos costumes, entidades existentes, a forma como a sociedade organiza-se quando o assunto é política, vale a pena a leitura.

PRESCRIÇÃO:

Para quem está entediado com a vida, procurando novos desafios e aventuras, é uma boa leitura, pois com as ideias apresentadas pelo autor e um pouco de coragem e criatividade, é possível engajar-se em um novo projeto, nacionalizando ideias que deram certo para os americanos. Por que não?

“Fora de mim” – Martha Medeiros (Texto em Desenvolvimento)

Neste livro, a autora é a narradora da história. Conversa com um interlocutor no vazio. Um “você” que não tem rosto nem nome. Aliás, ela também não tem nome, nem identidade. Mas carrega sobre si todo o peso de um amor irracional. O fim do relacionamento de dois anos que a narradora mantinha com o “você” está machucando-a, corroendo o que sobrou de sua alma. E no início, parece não ter sobrado muito. Ela sente-se um “nada” sem a figura amada, sem o “você”.

Neste novo livro de Martha Medeiros a impressão que temos é de que a Martha é a protagonista e nós, leitores, o ombro amigo. O destino final de um lamento. Parece estranho, mas com a leitura, a sensação que temos é a de que o livro “está vivo”, que nós o estamos acompanhando e escutando-o.  Em “Fora de Mim”, o leitor é a companhia do livro, e não o contrário.

Dor de amor todo mundo já passou e a forma como a Martha escreve, em tom de conversa com o leitor, torna esse sentimento de proximidade e vida possível. No fundo, o livro não trata da dor da separação, mas do quão pequenos nos tornamos quando resolvemos entregar a nossa felicidade à alguém. Quando colocamos na pessoa amada a razão da nossa vida. Nos tornamos pequenos e egoístas, pois precisamos nos sentir “proprietários” da outra pessoa, pois só assim, nos sentiremos responsáveis por nós mesmos. Ilusão de posse e controle. Pois sempre quando precisarmos nos enxergarmos no outro, estamos fora de nós, perdidos entre quem amamos e quem eu deveríamos amar: nós, acima de tudo. Enfim, a felicidade não está fora de nós.

Como esta leitura ainda não foi concluída, supresas ainda me esperam, e opiniões podem ser mudadas. Considerem o texto ainda em desenvolvimento. Esta é a minha sensação, das primeiras 53 páginas…

Não se pode ler tudo!

Ainda não li o livro, mas já está na minha caixinha de sugestões. Li esse fragmento e achei excelente, até pelo teor deste blog, serve de aviso aos internautas.

Trecho extraído do livro “Não nascemos prontos”, de Mário Sérgio Cortella

“O naufrágio de muitos internautas”

“Ora, cada dia fala-se, mais e mais, sobre a triunfal entrada da humanidade na Era do Conhecimento; exalta-se a capacidade humana de estar vivendo, a partir deste momento, um período no qual o conhecimento será a principal riqueza. Tudo é fonte para o conhecimento, e a principal delas seria a Internet. Devagar com isso! Não se deve confundir informação com conhecimento. A Internet, dentre as mídias contemporâneas, é a mais fantástica e estupenda ferramenta para acesso à informação; no entanto, transformar informação em conhecimento exige, antes de tudo, critérios de escolha e seleção, dado que o conhecimento (ao contrário da informação) não é cumulativo, mas seletivo.

É como alguém que entra em uma livraria (ou em uma bienal do livro) sem saber muito bem o que deseja (mesmo um simples passear): corre o risco de ficar em pânico e com a sensação de débito intelectual, ser ter certeza de por onde começar e imaginando que precisa ler tudo aquilo. É fundamental ter critério, isto é, saber o que se procura, para poder escolher, em função da finalidade que se tenha. Os computadores e a Internet têm um caráter ferramental que não pode ser esquecido; ferramenta não é objetivo em si mesmo, é instrumento para outra coisa. Por isso há um ditado atribuído aos chineses no qual se diz: “Quando se aponta a Lua, bela e brilhante, o tolo olha atentamente a ponta do teu dedo”. O instigante Lewis Carol, na sua imortal “Alice no país das maravilhas”, a ser lida e relida, tem dois personagens bem expressivos para entendermos os tempos atuais: um coelho (como nós) sempre correndo, sempre olhando o relógio e sempre reclamando: “estou atrasado, estou atrasado”, e um insondável gato que, no alto de uma árvore, tem um corpo que aparece e desaparece, às vezes ficando só a cauda, às vezes só o sorriso. Há uma cena (adaptada aqui livremente) na qual Alice, desorientada, vê o gato na árvore e pergunta: Para onde vai a estrada? O gato replica: Para onde você quer ir? Ela diz: Não sei, estou perdida! O gato não titubeia: Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve…

Sem critérios seletivos, muitos ficam sufocados por uma ânsia precária de ler tudo, acessar tudo, ouvir tudo, assistir tudo…”é por isso que a maior parte dessas pessoas, em vez de navegar na Internet, naufraga…”

“Cinderela de Saia Justa” – Chris Linhares

Nem só de cultura se vive. Um pouco de autoajuda, se não ajudar realmente, pelo menos distrai. Esse livro, “Cinderela de Saia Justa”, de Chris Linhares é o típico BBB: Bom, barato e bonitinho. Ele tem 192 páginas, que podem ser lidas em uma tarde. Trata das desventuras de uma jornalista, que entediada do seu trabalho na redação, dá um up em sua vida ao ser convocada para uma reportagem investigativa. Ela acaba em um clube que discute os ensinamentos baseados nos contos de fadas. E ao envolver-se, se redescobre. Nada muito profundo em termos psicológicos, mas uma boa companhia para uma tarde chuvosa.

“Aos meus amigos” – Maria Adelaide de Amaral

Fevereiro. Época de recomeço das aulas no Brasil. O verão se despede, e com ele, muitos amores e amizades ficam para trás. E outras são despertadas, amigos que ficaram na escola, nos bancos da faculdade, nos escritórios. Enfim, o tema amizade está sempre presente em nossas vidas, seja povoando de alegria nossos dias, ou seja pela dor da saudade, ou ainda, da falta de amigos verdadeiros em quem se possa confiar uma vida: a nossa.

E é sobre amizade que trata a novela de Maria Adelaide de Amaral, “Aos meus amigos”. O livro começa tenso, com um suicídio, mas a partir dos atos de sepultamento, os amigos de Léo, o suicida, reencontram-se, já adultos e passam a rememorar os momentos de sua juventude, quando, em plena luta contra a ditadura, acreditavam que juntos eram imbatíveis.

Quem assisitiu à série global, “Queridos Amigos”, baseada na obra de Adelaide, com certeza vai emocionar-se ainda mais com o livro, pois o texto de Adelaide é quase como uma conversa coloquial, faz com que o leitor acredite realmente ser um dos amigos de Léo.

MOMENTO ESPECIAL

Esse livro é especial para mim porque marcou um momento difícil da minha relação com uma amiga muito querida. A vida fez com que nos encontrássemos em um passado nem tão distante, mas o momento não era o nosso, então tivemos outra oportunidade, e aí sim, estreitamos a nossa amizade, trocamos confidências, estabelecemos um vínculo forte, que tinha tudo para ser muito duradouro. Porém, mais uma vez, a vida nos surpreende e nos separa. O amor e a busca pela realização pessoal falaram mais alto e minha amiga foi morar em outro estado. Como presente de despedida, comprei um livro “Aos meus amigos” para ela e outro para mim. Tácita e silenciosamente, esse é o nosso vínculo, que sobreviverá ao tempo e à distância. Desi, este texto é para você!

INDICAÇÃO TERAPÊUTICA

Para aqueles que precisam de um novo ânimo em suas relações de amizade. Excelente para despertar nos adultos o sentimento de busca da sua identidade junto aos amigos da infância e juventude. Para os jovens, uma leitura inspiradora, que mostra como uma pessoa pode alterar nossa vida, não importa a fase da vida.

O começo

Bem vindos!

Se vocês chegaram até aqui, é porque de alguma maneira, os livros fazem parte de suas vidas! Quem realmente aprecia a leitura, tem uma boa história para contar envolvendo um livro que marcou algum momento da vida, seja na infância, seja depois de adulto.

O projeto deste blog é apresentar um novo conceito, de livroterapia, já existente em Londres, e que modestamente procuro trazer para o Brasil, dando a oportunidade de todos encontrarem, através da literatura, um alento para os problemas da modernidade.

Assim como uma boa música, um bom filme, um bom vinho, os livros também são companheiros nos momentos de infortúnio. E quando estamos abertos para os conselhos que eles trazem, implícita ou explicitamente, podemos realmente encontrar uma luz no fim do túnel para nossos problemas, ou ainda, enxergar a situação por outro ângulo, nos dando ânimo e coragem para encarmos nossos sentimentos mais íntimos.

Esta é a ideia do Projeto Livroterapia. Para cada uma das doenças da alma que aparecerem, indicar um ou dois livros que auxiliem a ver novas possibilidades, quando estas parecem não existir porque no momento da dor, temos visões parciais da realidade!

Convido a todos a se entregarem ao maravilhoso mundo da literatura, e para aqueles mais corajosos, convido a compartilhar suas inquietações comigo, para, na medida do possível, tentar ajudá-los, eu e minha equipe milenar de escritores.